A satisfação de vencer em terras distantes
A satisfação de vencer em terras distantes
Posted by

A satisfação de vencer em terras distantes

 

 

Trabalhando nos EUA desde 2007, Dr. Cristian Craciun Brutten conseguiu, com muito esforço e dedicação, o reconhecimento em um mercado extremamente fechado e restrito quando se trata da atuação de dentistas estrangeiros.

O mercado de odontologia no Brasil é reconhecidamente um dos mais avançados do mundo. Temos profissionais de altíssimo nível e escolas de renome, que são responsáveis por projetar o País no exterior.

Entretanto, ainda é grande o número de profissionais que busca oportunidades fora do Brasil, especialmente nos Estados Unidos. Esse foi o caso do Dr. Cristian Craciun Brutten, que atua no mercado norte-americano desde 2007, logo após ter concluído o curso de Odontologia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal, cidade em que nasceu e morou até então.

“Fui para os Estados Unidos fazer residência em odontologia avançada, o que durou dois anos. Na verdade, a primeira vez em que estive nos EUA foi de uma maneira distinta da maioria dos dentistas brasileiros que se muda para aquele país. Tenho também formação acadêmica em música e decidi viajar para os Estados Unidos em 1998, disposto a fazer minha graduação na Universidade de Yale. Depois de voltar ao Brasil, fiz odontologia na UFRN. Assim que me formei, resolvi fazer mestrado em Los Angeles e, logo depois, a minha residência”, conta Dr. Cristian.

Segundo ele, o nível do mercado de odontologia norte-americano, tanto no âmbito acadêmico quanto profissional, é muito alto. “Existem muitos recursos disponíveis e um leque de atuação profissional muito amplo. A profissão é levada muito a sério no país. Na verdade, fiquei muito desapontado com as perspectivas de trabalho no mercado brasileiro, mesmo tendo sido aluno da UFRN, a primeira colocada nacional no Enade – Exame Nacional de Desempenho de Estudantes na área de Odontologia no ano em que me formei”, revela.

Um dos aspectos que mais chamou a atenção do brasileiro no mercado norte-americano foram os recursos tecnológicos. Os profissionais utilizam tecnologia de ponta, como máquinas Cerec (para moldagem digital e fabricação de coroas de porcelana em apenas alguns minutos), Raio X digital e guias digitais para implantes cirúrgicos, entre outros.

Quanto à remuneração, Cristian também explicou que os salários dos profissionais da área de odontologia nos EUA são bem mais atrativos do que os do Brasil. “O custo de vida é mais alto nos Estados Unidos, mas a remuneração compensa essa diferença. Um dentista, em início de carreira, pode fazer entre dez e US$ 12 mil ao mês. Com especialidade e experiência, os salários podem chegar a US$ 30 mil para um endodontista, US$ 40 mil para um cirurgião e US$ 25 para um pediatra. Esses valores são muito relativos e existem exceções em ambas as direções”, declara.

Reconhecimento do diploma

Em meio a tantos atrativos, fazer carreira naquele país não é tão simples como se pensa. Os EUA impõem algumas barreiras em relação à atuação de profissionais estrangeiros. Uma delas é a questão do diploma. Os Estados Unidos não reconhece nenhum diploma estrangeiro para a prática da Odontologia. O profissional só poderá trabalhar no país se fizer um programa acadêmico, como mestrado, doutorado ou pesquisa, mas nunca para atuar na área clínica.

“Os dentistas estrangeiros devem fazer um curso, que dura em média dois anos. O problema maior é o custo desse curso, que foge a nossa realidade de terceiro mundo. Para se ter ideia, somente o valor do curso, sem considerar material clínico ou didático, custa na faixa de US$ 150 mil a US$ 280 mil pelo programa inteiro. Se não bastasse o curso, ainda temos de fazer três provas, duas que representam todas as matérias da faculdade, desde a parte básica até a clínica. A última prova é a da licença profissional, na qual além de avaliação teórica, existe uma avaliação clínica com pacientes”, descreve Cristian.

Por outro lado, apesar das dificuldades, que são muitas para o dentista que deseja atuar nos EUA, o profissional que consegue cumprir essa verdadeira maratona de provas é reconhecido e muito bem recompensado. “Conseguimos exercer uma odontologia apropriada com muitos recursos a nossa disposição”, avalia.

Na opinião de Cristian, para quem pretende se atirar a novos desafios profissionais no exterior, antes é preciso avaliar alguns aspectos. “Dizer que vale a pena ou não depende das expectativas de cada um e do que a pessoa está disposta a abrir mão. Eu, por exemplo, nunca cogitei permanecer ilegal em um país ou ter que me sujeitar à exploração que alguns dentistas estrangeiros passam. Existem lugares que se aproveitam da mão-de-obra qualificada e barata estrangeira, que não pode exercer a profissão quando chega no exterior. É necessário  analisar bem os prós e contras de cada país antes de se dispor a qualquer tentativa. Cada mercado apresenta uma particularidade, que deve ser considerada e pesquisada. Uma dica é, se possível, viajar antes para o país escolhido, a fim de conhecer bem o lugar e o que o mercado exige. Além disso, vale a pena conversar com alguém que já tenha passado pelo processo de integração”, comenta.

Apesar da rotina de trabalho dinâmica, Cristian garante estar satisfeito com sua carreira. O seu dia começa cedo. Geralmente, às 8h00 da manhã e segue até às 17h00. “Às vezes, tenho de estar de sobreaviso por 24 horas, já que trabalho em um hospital. No começo, acreditava que ter sucesso em outro país era algo praticamente impossível, mas com estudo, determinação e perseverança conquistei parte do que quero. Para o futuro, ainda pretendo fazer mais uma residência em odonto pediatria”, revela Cristian.

Classe precisa de união

Na opinião de Cristian, o mercado odontológico brasileiro está abarrotado de profissionais que não são contemplados por uma condição justa de remuneração e atuação. Além disso, não há um controle no número de profissionais e especialistas por parte das entidades odontológicas no Brasil. “Muitas vezes, nossa classe fica na dependência de decisões políticas. A regulação do mercado norte-americano existe de uma forma muito eficaz. As barreiras, como provas e testes de performance, são necessárias e garantem um equilíbrio do setor”, analisa.

Outro problema do Brasil, na visão do dentista, é o alto número de profissionais especialistas, que deveria ser proporcional ao número de generalistas. “Na minha classe na UFRN de 30 alunos, oito dos colegas estão fazendo cirurgia bucomaxilofacial. Como irá o mercado absorver esses especialistas? O que existe hoje no Brasil é uma verdadeira fábrica de cursos de pós-graduação. São inúmeros os cursos, especialidades, atualizações e aperfeiçoamentos. Enquanto que na UFRN se formam por ano 24 ortodontistas, a New York University, nos EUA, forma quatro, sendo esta a maior faculdade de odontologia das Américas em uma das maiores cidades do mundo”, complementa.

Ele lembra que o Brasil abriga 11% dos dentistas do planeta, tendo mais faculdades de odontologia do que os EUA, Canadá e México juntos. “Não podemos nos esquecer de que assim como dentistas, também somos, de certa forma, empresários que devem responder a demandas de mercado e estratégias de atuação, especialmente em um âmbito tão competitivo e explorado”, frisa.

De acordo com ele, no Brasil, é imprescindível nesse momento a conscientização por parte dos profissionais sobre a necessidade de uma atuação em classe, especialmente no que diz respeito a entidades como sindicatos e associações de odontologias brasileiras. “A odontologia brasileira possui várias qualidades, que ficam ofuscadas por fatores que são, em longo prazo, contornáveis.  Somente quando nos conscientizarmos e tomarmos como exemplo países onde a odontologia se faz de forma séria, poderemos criar uma realidade melhor no Brasil, tanto para nossa classe quanto para o povo brasileiro”, frisa.

Apesar desse cenário, Cristian se orgulha da formação que recebeu no Brasil. “Na residência, nos EUA, fui o primeiro brasileiro, juntamente com mais dois outros dentistas, Dr. Rodrigo Souza e Dra. Vanessa Freitas da USP. Tenho muito orgulho muito da minha trajetória acadêmica na UFRN, a qual me proporcionou conhecimentos de alto nível para suprir às demandas do mercado norte-americano, o que também aconteceu com os meus colegas brasileiros de residência. Morando em um país como os EUA, temos contato com a odontologia de diversas nações, fato que só me traz a certeza de que no Brasil possuímos, sim, uma das melhores odontologias do mundo”, ressalta.

 Por Madalena Almeida, Jornalista

 

Comments

1 1 1670 11 julho, 2011 Coaching e Carreira julho 11, 2011

About the author

Thais Almeida é diretora e curadora de conteúdo deste portal.

View all articles by Administrador

Pesquisar

Parceiros

Facebook